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Proibição das bets: elas fazem mal à sociedade? O que os dados revelam

Estudo dottie · 28 de setembro de 2026 · com dados de Banco Central, IBGE, Ministério da Fazenda, Ministério da Saúde, Unifesp, IEPS e CNC

Resposta curta: pelos dados, sim. Em 2025, os brasileiros perderam R$ 36,9 bilhões em apostas, cerca de R$ 1.476 por apostador. O peso é desigual: nas classes D e E, as bets consomem quase 4 vezes mais do orçamento do que na classe A. O custo social estimado, de R$ 38,8 bilhões por ano, é cerca de 4 vezes tudo o que o setor pagou em impostos federais. E a procura por tratamento no SUS cresceu 140% entre 2018 e 2025.

O que mudou com a proibição?

Em 25 de setembro de 2026, o governo federal publicou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta e a publicidade das bets, incluindo apostas esportivas e cassinos online. O argumento central é de saúde pública.

Pelo calendário, os novos depósitos acabaram na hora, o saque voluntário vai até 5 de outubro e os sites saem do ar a partir de 6 de outubro. A medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar definitiva.

Quanto isso representa na economia?

1,7% do PIB
foi depositado em bets em 2025 cálculo dottie
0,3% do PIB
ficou com as empresas cálculo dottie
25 milhões
de apostadores, cerca de 18% dos adultos
R$ 1.476
perdidos por apostador no ano, ou R$ 123 por mês cálculo dottie

O PIB brasileiro em 2025 foi de R$ 12,7 trilhões. Dividindo o valor depositado e o valor retido pelas empresas por esse total, chegamos a 1,7% e 0,3% do PIB. Um cuidado: os depósitos incluem dinheiro que volta como prêmio e é apostado de novo, então é contado mais de uma vez. Por isso, o número mais preciso é o 0,3%, que mostra a perda real dos apostadores. O número de apostadores vem do Ministério da Fazenda.

A nossa conta por apostador bate com um estudo independente: a LCA Consultoria calculou um gasto líquido médio de R$ 122 por mês por apostador.

Atenção: esses números cobrem só as bets autorizadas. Estimativas do setor indicam que os sites clandestinos seriam de 41% a 51% do mercado total. Ou seja, o dano real é maior.

As bets pesam mais para quem tem menos dinheiro?

Sim. Quem tem mais renda aposta valores maiores em reais, mas quem tem menos perde uma fatia muito maior do orçamento.

Maior que o lazer, perto da comida

38%
era quanto as apostas representavam em 2023, comparadas a tudo o que as famílias gastam com lazer e cultura. Em 2018, eram 10%.
4,4%
era quanto representavam em relação aos gastos com alimentação. Em 2018, eram 1,5%.

Os números são de uma projeção da PwC Strategy& com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE e em dados do Banco Central.

O recorte do Bolsa Família

1 em cada 4
beneficiários do Bolsa Família apostou em agosto de 2024
R$ 100
foi o gasto típico (mediana) de quem apostou, no mês
15%
do valor médio do benefício, para quem apostou

Os dados são do Banco Central: cerca de 5 milhões de beneficiários enviaram R$ 3 bilhões via Pix para bets em um único mês. Os R$ 100 típicos equivalem a 15% do benefício médio. Os números valem para quem apostou, não para todos os beneficiários.

Qual foi o impacto no comércio?

R$ 103 bilhões
de faturamento potencial que o varejo deixou de ter em 2024
59%
dos apostadores já cortaram gastos da casa para continuar apostando

Dinheiro apostado é dinheiro que deixa de ir para o mercado, a farmácia e a loja do bairro. A CNC estima que o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões em 2024 por causa do dinheiro das famílias desviado para as bets. O corte no orçamento doméstico vem da pesquisa Pulso Apostas, da Hibou (agosto de 2026).

As bets aumentaram o endividamento?

Qual é o impacto das bets na saúde mental?

O transtorno do jogo é reconhecido como doença pela OMS (CID-11, código 6C50). Os números do LENAD III, da Unifesp:

10,9 milhões
de brasileiros apostam em padrão de risco (7,3% da população com 14 anos ou mais)
1,4 milhão
têm diagnóstico de transtorno do jogo
10,5%
dos adolescentes de 14 a 17 anos apostaram no último ano, mesmo proibidos
+140%
nos atendimentos do SUS entre 2018 e 2025, com projeção de mais 104% até 2028 (Ministério da Saúde)
15 vezes
mais chance de morte por suicídio entre pessoas com transtorno do jogo, em estudo sueco citado pela OMS
1 milhão+
de pessoas pediram autoexclusão das plataformas desde dezembro de 2025

Quanto do dinheiro das bets chegou à saúde pública?

Quase nada. O IEPS estima que as bets geram um custo social de R$ 38,8 bilhões por ano. Só a saúde responde por R$ 30,6 bilhões:

Agora compare com o que entrou. A Receita Federal arrecadou R$ 8,94 bilhões com as bets em 2025. O principal imposto das bets, de 12% sobre o faturamento das empresas, é dividido por lei entre várias áreas: esporte fica com 36%, turismo com 28% e educação com 10%. A saúde recebe só 1%. Em 2025, esse imposto somou R$ 4,5 bilhões, e a saúde ficou com cerca de R$ 45,7 milhões (dossiê do IEPS). Milhões, não bilhões.

O setor gerou empregos?

Muito poucos. Em 2024, o setor tinha só 1.144 empregos formais ativos, com 60 empregadores, segundo dados da RAIS compilados pelo IEPS.

1.144
empregos formais diretos no país (2024)
R$ 291
de receita para cada R$ 1 que vira salário formal, segundo o IEPS

Conclusão: o que os números mostram?

Pelos dados, o custo social das bets é cerca de 4 vezes tudo o que o setor pagou em impostos federais. O peso recai de forma desproporcional sobre as famílias de menor renda, a saúde pública quase não recebeu recursos, e o setor gerou pouquíssimos empregos para o dinheiro que movimentou.

A proibição resolve parte do problema, mas especialistas alertam para a migração para sites clandestinos e para a necessidade de ampliar o tratamento no SUS.

Perguntas frequentes

As bets foram proibidas no Brasil?

Sim, por medida provisória publicada em 25 de setembro de 2026. Ela precisa ser aprovada pelo Congresso para se tornar lei definitiva.

Quanto os brasileiros perderam com bets em 2025?

Cerca de R$ 36,9 bilhões, a diferença entre os R$ 220,6 bilhões depositados e os R$ 183,7 bilhões devolvidos em prêmios. Isso equivale a 0,3% do PIB e a cerca de R$ 1.476 por apostador.

As bets afetam mais os pobres ou os ricos?

Os mais ricos apostam valores maiores, mas os mais pobres perdem uma fatia maior da renda. Em 2023, as bets consumiam 1,38% do orçamento das classes D e E, contra 0,36% na classe A.

Quanto do dinheiro das bets foi para o SUS?

Por lei, a saúde recebe 1% do principal imposto pago pelas bets. Em 2025, foram cerca de R$ 45,7 milhões, de um total de R$ 4,5 bilhões distribuídos. O custo das bets na saúde é estimado em R$ 30,6 bilhões por ano.

Vício em apostas é doença?

Sim. O transtorno do jogo está na CID-11 da OMS (código 6C50). No Brasil, 1,4 milhão de pessoas têm o diagnóstico, e o tratamento é gratuito no SUS, pelos CAPS.

Metodologia: como fizemos as contas

Os números marcados com cálculo dottie são contas simples feitas a partir de dados oficiais:

IndicadorConta
1,7% do PIB depositadoR$ 220,6 bilhões ÷ R$ 12,7 trilhões
0,3% do PIB retidoR$ 36,9 bilhões ÷ R$ 12,7 trilhões
R$ 1.476 por apostadorR$ 36,9 bilhões ÷ 25 milhões de apostadores
≈ 3.900 atendimentos no SUS em 20251.951 (1º semestre) × 2
R$ 33 por pessoa diagnosticadaR$ 45,7 milhões ÷ 1,4 milhão
35 vezes menos empregos que o Magalu40.000 ÷ 1.144
Custo social ≈ 4 vezes os impostosR$ 38,8 bilhões ÷ R$ 8,94 bilhões

Dados de anos diferentes estão sempre identificados. Pesquisas de institutos distintos usam metodologias próprias e não devem ser somadas entre si.

Se você ou alguém próximo está sofrendo com apostas, procure o CAPS da sua cidade. Em situação de crise emocional, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188 ou em cvv.org.br.
Fontes

Um número isolado engana. Cruzado, ele explica.

A dottie integra suas fontes de marketing e vendas para você enxergar o quadro completo, com a mesma clareza deste estudo.

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